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Ilusão tupiniquim

Símbolo nacional de idoneidade, Sarney diz a Ban Ki-moon que o Brasil está preparado

A visita do secretário-geral da ONU ao Brasil reacendeu as esperanças do governo Brasileiro de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da entidade. E mesmo com as manifestações simpáticas – ainda que contidas – de Ban Ki-moon, tudo indica que essa possibilidade não passe de uma ilusão. Existem bons motivos para que se possa praticamente eliminar as chances de o país se tornar um dos membros permanentes.

Primeiro porque, se algum país se tornará membro do Conselho nos próximos tempos, será a Alemanha. Mais de meio século depois de terem sido deixados de lado pelos vencedores da Segunda Guerra, os alemães superaram o ressentimento, ganharam força nas Nações Unidas e, hoje, estão bastante alinhados à organização, muito mais até que os Estados Unidos. E enquanto a convalescida Inglaterra murcha no cenário mundial – apesar do recente casamento que deu alguns anos de sobrevida à coroa britânica –, os germânicos marcham a caminho de assumir uma posição de liderança no continente europeu. Portanto, é mais lógico, senão natural, que, caso abra uma vaga no tão sonhado Conselho de Segurança da ONU, a escolhida seja a Alemanha.

Outro motivo pelo qual só por milagre o Brasil se tornará um dos membros permanentes é a falta de liderança que o país exerce sobre a América Latina. O Brasil só é considerado – ao menos publicamente – um líder no continente por quem vê de fora. O poder político do país frente aos líderes latino-americanos é pequeno, e a pouca influência ainda se dá mais em vista do poderio econômico do que especificamente pela expressividade dos nossos líderes.

A desastrosa política externa do ex-presidente Lula da Silva e a falta de posicionamento do governo brasileiro frente a temas polêmicos não ajuda. Em menos de seis meses, o Brasil se absteve em duas votações importantes do Conselho de Segurança. A primeira, em novembro passado, foi na votação que pedia o fim de apedrejamentos, das perseguições a minorias étnicas e dos ataques a jornalistas e a advogados de vítimas de violações de direitos humanos no Irã. Também se abstiveram Zâmbia, Angola, Egito, Marrocos e Nigéria, provavelmente considerados pelo governo brasileiro amplos defensores dos direitos humanos.

O segundo fiasco protagonizado pelo Itamaraty ocorreu na votação para autorizar a proteção da população civil da Líbia por meio de medidas contra Kadafi. Dá pra entender. Lula se reuniu quatro vezes com Kadafi durante seus oito anos de mandato, chamando-o inclusive de “meu amigo, meu irmão”. Não se sabe ainda qual a real motivação de Lula em relação aos “irmãos” líbios, mas ninguém acredita que tenha sido pelo interesse das construtoras brasileiras instaladas no país, todas generosas doadoras em períodos de campanha eleitoral.

E tem ainda a questão dos aliados brasileiros. Até o momento, nenhuma autoridade de grande expressão se manifestou favorável à entrada do Brasil. Tanto Barack Obama quando Ban Ki-moon concordam que o conselho precisa de reformas, mas nenhum deles defende abertamente a entrada do Brasil como membro permanente. Não seria por menos. Enquanto os capengas Estados Unidos tentavam desesperadamente pender a balança de poder novamente para o seu lado, depois do fiasco protagonizado no Afeganistão, o Brasil defendia o direito do Irã a ter um programa nuclear. Mas nem tudo está perdido. Hugo Chavez, presidente da Venezuela, e John Kufour, líder de Gana, estão do nosso lado, e já manifestaram apoio à candidatura do Brasil. Agora vai…

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